Olhar Feminino

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10 agosto, 2014

Nem só de bons momentos foram feitos a relação que tive com meu pai. Longe disso, depois dos 14 anos tivemos muitas desavenças e outros problemas que não importam mais. Meu pai faleceu em 17 de maio de 2013. Morreu de câncer de estômago. Logo ele, tão cheio de vida, tão difícil de ir ao médico, que achava que todo mundo que falava que estava doente era frescura e que ele tinha uma sde ferro. Não tinha. Apenas não se cuidava e isso o matou ano a ano sem ele saber.



Morreu com 66 anos, novo ainda. Seus últimos dias foram sofridos, foram de muita dor e eu assisti a tudo de perto, sem nada poder fazer a não ser ir atrás de médicos e implorar que fizessem algo por ele. Mas já não se podia fazer mais nada. Era tão surreal ouvir do médico que ele tinha no máximo dois dias de vida sem operar e se operassem apenas 20% de chance de sobreviver. Nos apegamos aos 20% e ele foi operado. O Câncer já havia entrado na corrente sanguínea e a infecção já havia generalizado. Mas ele sobreviveu à operação. Ficou 24 dias na UTI. Dias de suspense e dor. Cada toque do celular era um susto.

Cada boletim dizendo “quadro instável”, “gravíssimo” apenas aumentava a dor de vê-lo naquele estado. A maquininha dos batimentos cardíacos dava nos nervos. Ele tinha febre, os batimentos não baixavam, os rins paralisaram, faziam hemodiálise nele. Os médicos tentaram de tudo. Abriram-no novamente para tirar um abscesso que tinha se formado.



E ele seguia lutando pela vida. E a família começou a pensar que algo o estava prendendo à Terra. Pediram que eu o perdoasse. Que talvez ele não partia porque faltava isso. Foi difícil pra mim. Mas foi libertador também. Ele me ouvia, mas não podia falar, que situação triste de ver um ente querido.

Na UTI eu disse: “Pai, lembra quando eu disse que nunca te perdoaria? Pois então, eu decidi te perdoar. Eu te perdôo do fundo do meu coração, pai. Quero que saiba que pode partir em paz.” Nesse momento ele como que gritou de forma aliviada e sufocada, num gemido alto, pois tinha a mangueira de respiração na boca, e lágrimas desceram nos olhos dele. Tive certeza então que ele me ouviu. E isso me conforta. Saber que fui capaz de perdoá-lo também me aliviou e me fez colocar uma pedra num assunto dolorido da minha vida. Meu pai viveu mais alguns dias e se foi, numa tentativa de o operarem pela terceira vez. Quando deram a anestesia ele foi para junto de nosso Pai Maior, Jesus Cristo, conforme eu acredito.
saudade pai lutoE depois de tudo, você se lembra dos bons momentos que ficaram. De quando me comprou um boneco que eu pus o nome de Alcebíades, quando ele voltou de uma viagem de Campo Grande. De como ficou do meu lado quando roubaram o carro da minha mãe quando eu estava dirigindo na Copa de 1994. De como chorou quando eu tinha 10 anos e fiz uma pequena cirurgia no rosto para tirar um abscesso inflamado. De como era animado nas festas. E por aí vai.

Foi doloroso vê-lo partir. Foi doloroso ouvi-lo gritar de dor pelo câncer. Doloroso não contar pra ele que ele estava partindo. E Vê-lo com esperanças... E dói sempre nas datas comemorativas não ouvi-lo telefonar e dar Feliz Aniversário para mim e para os meus filhos (disso ele nunca se esquecia).

Penso às vezes no que deve ter pensado nos 24 dias de UTI, de como deve ter se arrependido de tantas coisas que fez e que não fez, de como viu sua vida passar como um filme e me dói saber que ele deve ter concluído que poderia ter sido uma pessoa melhor para sua família quando pôde, um PAI melhor...

Mas é a vida. De tudo isso, aprendi que meu papel de mãe e pai dos meus filhos é ainda mais importante. Vivo sem arrependimentos. Faço o melhor que eu posso, para ser a melhor na vida deles. Para que eles nunca precisem me perdoar de nada.

Que Deus o guarde em bom lugar, meu pai. Feliz Dia dos Pais.

30 abril, 2011

Virginity Lost

"Pois olha, menina, eu vou te amar tanto, mas tanto, que quando eu sair da sua vida, você vai me prometer que você NUNCA vai aceitar menos de um homem do que eu te dei"

Tão breve a vida, tão dura a morte...As coincidências de meus sonhos sempre assustam minha família e a mim. São como avisos. Essa noite sonhei com um grande amor que tive e que já contei nossa história aqui no meu blog. Foi um sonho rápido.Eu apenas o via, lindo, de camisa verde-claro, com os cabelos brancos que eu amava tanto, com o sorriso franco e o olhar doce. Lembro que no sonho conversávamos e ríamos. Apenas isso.

Acordei com vontade de mandar um email perguntando como ele estava mas não o fiz porque tive que sair com minha mãe e ir ao mercado. Ao chegar ao mercado, uma amiga vem falar comigo e me diz: "pois é, e aquele seu amor lá de Goiânia morreu, né?" Assim eu soube de sua morte em 17 de abril de 2011. Um câncer no cérebro fulminante o matou em menos de 30 dias. Penso para amenizar a dor que pelo menos não sofreu tanto. Penso que Deus foi bom para com ele...

Leio na minha caixa postal seu email de 14 de dezembro de 2010 onde pedia notícias minhas: "Olá, criatura! Como é que está? Sumida! Mande notícias. Abraços". E outros que vieram depois... e choro. Choro muito não por sentir perda. Choro por agradecer a Deus ter vivido uma história de amor e amizade com esse homem. Choro por ele ter me incentivado tanto a ser quem eu sou, por ter sido meu modelo de professor, por ter me mostrado a vida dos livros e da dedicação pedagógica, por ter cuidado de mim com o carinho e amor que cuidou, por ter me dito tantos eu te amo e agradeço novamente a Deus.

Um dia, eu me lembro que estava deitada em seu peito e ele me disse: "Fofa, sabe, eu vivo sempre com essa ideia: que as pessoas digam quando eu morrer que eu fui uma pessoa boa. Apenas isso. Que digam: “Ele morreu? Boa pessoa ele era..."

E ele conseguiu. Vejo postagens de luto pela internet de alunos e colegas dele e dizem entre outros elogios maravilhosos para um educador, que nunca vão esquecer a pessoa boa que era, o carisma e carinho com que tratava seus alunos.

Quando sabemos que alguém que se amou tanto morreu vem tantos sentimentos… tantas lembranças… Mas quantas mulheres passam por essa vida sem saber o que é um amor verdadeiro? Sem saber o que é amar e ser amada, sem saber a felicidade e completude que isso nos dá? Só por isso, eu já sou muito feliz e agradecida a Deus!

Obrigada, Senhor!



O céu ganhou um professor lindo de alma, de uma sabedoria
magnânima.Esteja com Deus,meu professor, meu amigo, meu amor.

28 fevereiro, 2011

Um blog pessoal tem caráter como o próprio nome diz de pessoalidade, particulariedades, chororôs ou alegrias. Quando surgiram os blogs, lembro-me de que a primeira acepção que se dava a eles era de que era um diário virtual. E muitos usavam (e ainda usam) assim. Em muitos casos, escrever é a suprema liberdade. É você colocar pra fora sentimentos que te fazem mal. Faço muito isso, jogo pra fora meus sentimentos como as adolescentes que acredito sempre somos quando nos referimos ao amor, ao bem querer, à beleza vista por nossos olhos, já que o olhar é o caráter da escrita. 

Escrevemos os olhares que damos às coisas, equivocadas ou não, corretas ou não, é o SEU olhar. Quem escreve, não escreve para saber se quem leu achou correto ou não,nem escrevemos para que seja de concordância ou não aos olhos dos outros. Quem escreve, escreve sua visão da realidade.

Há algum tempo escrevo aqui em meu blog poemas, contos, textos de minha autoria, sempre preservando as pessoas inseridas no contexto por uma questão de respeito. Não a elas, mas a mim mesma, para que eu seja respeitada na vida que levo. Mas quem me conhece sabe que não sou de esconder nada de ninguém. Sou uma das pessoas mais transparentes que eu conheço. Não me envergonho ou me arrependo de absolutamente nada nessa vida porque sou, como toda pisciana, passional. Levada pelos sentimentos e emoções. E hoje estou escrevendo bem depois de certas emoções terem me dominado há dois dias.Tento (nem sempre consigo) não deixar a raiva tomar conta de mim e me levar a fazer coisas impensadas. Por isso, deixei passar uns dias...

Fui acusada injustamente de falta de respeito entre outras coisas por uma das pessoas que eu ainda estimava e admirava aos meus olhos. Olhos deturpados, pois como disse minha terapeuta, "é tão difícil ver apenas que a pessoa não tem caráter?" Sim, foi difícil para mim. Habituei-me em minha vida a sempre ver o lado bom das pessoas. Mas ver que elas não são o que eu pensava que eram é difícil e dolorido sim. 

E você que está lendo pode me dizer, pois é, são as expectativas..."Nunca se deve por expectativas em ninguém". Concordo que como frase de autoajuda é fantástica. Como não pensei nisso antes? Ou você? Ora, vamos... Nem nascer nascemos sem ter expectativas. Já nascemos talvez de olhos fechados esperando não ver as decepções desse mundo.

E o que você faz com as decepções que você tem é o que nos diferencia. Eu, escrevo.Eu, choro, choro muito. Eu, muitas vezes, adoeço. E depois me reergo. Levo aquilo como aprendizado, "dou a volta por cima e levanto a poeira", como diz a música. Outras pessoas, frente a uma decepção, matam. Outros, ficam loucos. Outros ainda, bebem, se drogam..e por aí vai... Eu escrevo.

Aprendi há cinco anos que guardar os sentimentos me faziam ficar doente e entrar em um buraco tenebroso e mais fundo da depressão. À época, meu médico me disse: Grite, esperneie,xingue, mas não guarde mais. Aprendi. Então eu escrevo.

Agora minha mente fica pensando o tempo inteiro nessa palavra e em seu significado: Respeito. Como te pedem respeito se nunca te respeitaram? Então é assim? Quando as pessoas me desrespeitam pode. Quando são elas que me usam pode. Quando são elas que mentem para mim pode. Quando elas usam de má fé ou de artifícios para me enganarem pode.Quando mentem que são doentes tendo saúde, pode. Quando mentem para várias pessoas on line, pode. Quando a pessoa engana a esposa, pode. Ou seja, tudo para a outra pessoa, pode. Mas se você apenas diz que tem saudade de uma pessoa e ela te ignora não é desrespeito.  Se você fala algo pra ela com um mínimo de educação e ela te responde com acusações e palavras duras e você então responde na mesma sintonia, não pode. Penso, portanto, que terei que aprender muito mais sobre respeito. Então vejamos alguns fragmentos sobre respeito.

Na Wikipédia temos que:
O respeito juntamente denota um sentimento positivo de estima por uma pessoa ou para uma entidade (como uma nação, uma religião, etc.) e também ações especificas e condutas representativas daquela estima. Respeito também pode ser um sentimento especifico de consideração pelas qualidades reais do respeitado (Ex: Eu respeito o julgamento dela). Pode também ser conduzido de acordo com uma moral específica de respeito. Ser rude é considerado uma falta de respeito (desrespeito) enquanto que ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas respeito. Morais especificas de respeito são de importância fundamental para muitas culturas. Respeito por tradições e autoridades legitimas são identificadas por Jonathan Haidt como um dos cinco valores morais fundamentais compartilhados para um maior ou menor por sociedades diferentes e indivíduos diferentes. Respeito não deve ser confundido com tolerância porque tolerância não diz necessariamente nenhum sentimento positivo, e não é compatível com desprezo, o contrário de respeito A palavra respeito vem do latim respicere que significa olhar para trás. Isso evoca a idéia de julgar alguma coisa em relação ao que foi feito quando é valoroso ser reconhecido. Além, a noção de respeito implica que pode ser aplicado para uma pessoa que fez algo certo, mas também para qualquer coisa afirmada no passado como uma promessa, a lei, etc. Isto também é porque na maioria dos idiomas, é dito que o respeito deve ser merecido.
Leon Trotsky disse que "Os homens não têm muito respeito pelos outros porque têm pouco até por sí próprios."Já Kafka afirmou que "A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua." e Joseph Jouber constatou que "Ser capaz de respeito é hoje em dia quase tão raro como ser digno de respeito."
Então, neste blog, não escreverei e nem terei mais nada de minha autoria sem citar nomes, datas e tudo o mais que faça parte da MINHA história de vida. por conta disso, estarei repostando meus textos , poemas e tudo o mais com todos os detalhes e contextos possíveis de serem lembrados pela minha memória sem prejudicar a ninguém e nem desrespeitar, já que as memórias e opiniões são MINHAS, conforme me instruiu minha advogada. Mas, é claro, que aquele(a) que se sentir desrespeitado(a) tem todo o direito de buscar as vias legais para me processar. E eu para me defender, se for o caso.E isso não é em tom de ameaça ou qualquer coisa do tipo (falar antes que pensem isso aff...), porque estou longe de ameaçar alguém. Não sou de falar. Sou de fazer. Isso é um FATO que vocês estarão constatando nos meus escritos.

Assim, acredito eu, estarei me respeitando mais. Respeitando as minhas impressões, os meus olhares, o grande amor que sinto por mim mesma.  Respeito pelo que sinto, pelo que sou, pelo que falo, pelo que penso. 

E a quem não me respeita, o meu total desprezo, que é o contrário de respeito.

21 agosto, 2010



Hoje é daqueles dias em que você acorda 
E é noite
Dias em que tudo é cinza
uma eterna noite dentro de si
Dores e mais dores da alma
Tento entender minha filha
Tento entender meu irmão
Tento entender a vizinha
Tento entender o mundo
Desisto e penso: 
melhor voltar a dormir

♥ ♥ ♥

02 agosto, 2010



De tanto ler mentiras descobriu 
que a única verdade escrita era a dela mesma. 
Apagou tudo. 
Foi reescrever sua vida.

01 agosto, 2010


Uma vez aqui no blog comecei a contar uma história; A Aluna e o Professor - Parte 01 e depois me perdi entre postagens e deixei aqui rascunhada a parte 2 e nunca mais mexi. Hoje, deletando postagens, vendo rascunhos, achei por aqui... revi os comentários e emails me perguntando o fim da história, então vou deixá-la aqui inteira. Boa leitura!



Faculdade.1993.Ela, 23 anos.Ele,43.20 anos de diferença... e experiência. Ele, professor.Ela,aluna.Ele, estudioso.Ela, sem juízo.


O primeiro dia que entrou na sala e viu o "prof." como chamavam na época não gostou dele.Sentiu raiva na hora.Assistiu a aula criticando-o o tempo todo.Ao término foi até ele:"Quantas faltas posso ter em sua aula?" ele respondeu educadamente: "12".Olhou pra ele com desdém e disse:"Terei todas" e saiu. Chegou em casa irritada. O professor não saía de sua cabeça: "Cara arrogante, metido a inteligente...Acha que é quem?". À noite teve febre e delirou que o professor estava ao seu lado.Sentiu medo, muito medo.Pensou:"epa, devo ficar longe dele.Coisa mais estranha". Não era. Apaixonara-se à primeira vista. Ou à primeira aula. Não perdeu uma aula dele, pelo contrário, virou a melhor aluna e achava que ele não a notava.Fez a primeira prova. Dias depois percebeu que ele sempre saía da aula e ia para o pátio conversar com ela.Ela ria das histórias dele. Ele ria das bobagens dela. Pensava em fugir dele, mas era tão bom estar perto dele. Ele pediu o telefone dela. Ela desconversou. Em outro dia ele disse;"gostaria do seu telefone, temos algo a discutir sobre a avaliação". "Que desculpa esfarrapada", ela pensou. Não houve como não dar. Ele ligou. Conversaram amenidades, ao final, ele convidou-a para jantar. Ela aceitou.Vestiu-se bonita. Ele chegou e a elogiou: "bonita e cheirosa..." Deu um sorriso amarelo. O coração ia sair pela boca. A impressão era que ele poderia escutá-lo. "Fique calma, droga!" Levou-a para a casa dele. "Não íamos jantar?""Nós vamos". Ele havia cozinhado, preparado tudo. Um vinho suave. Boa música.Não resistiu. Acabaram na cama.Ela ficou. Ele levantou.foi para a sala, pegou o violão e tocou e cantou:

Eu quero uma mulher

que seja diferente 
de todas que eu já tive,
de todas tão iguais
que seja minha amiga,
amante, confidente 
a cúmplice de tudo
que eu fizer a mais.
No corpo tenha o Sol
no coração a Lua
a pele cor de sonho
as formas de maçãs
a fina transparência
uma elegância nua
o mágico fascínio
o cheiro das manhãs.


Eu quero uma mulher
de coloridos modos
que morda os lábios sempre
que for me abraçar
no seu falar provoque
o silenciar de todos
e seu silêncio obrigue
a me fazer sonhar
Que saiba receber
que saiba ser bem-vinda
que possa dar jeitinho
a tudo que fizer
que ao sorrir provoque
uma covinha linda
de dia, uma menina
a noite, uma mulher.
(A Cúmplice - Juca Chaves)

Ela se levantou e encostou-se na porta do quarto, só vestida com uma blusa.Foi a coisa mais linda que já tinham feito pra ela.Cada detalhe elaborado.Se já não estivesse apaixonada por ele, apaixonaria-se ali.Levou-a embora para casa.Estacionou e disse: "Menina, posso te dizer uma coisa e você promete não ficar brava?" "Claro!" "Sabe, você tem os olhos mais tristes que eu já vi. Olhos de mulher mal-amada""O quê? Tá me xingando?" "Não, nada disso.Deixa eu explicar.Olhos de quem ainda não foi amada." Ela nada disse. Ele continuou:"Pois olha, menina, eu vou te amar tanto, mas tanto, que quando eu sair da sua vida, você vai me prometer que você NUNCA vai aceitar menos de um homem do que eu te dei" e deu um beijo nela...

A menina era eu...E ele cumpriu o que disse.

Ficamos juntos um ano. Terminamos umas dez vezes, por conta das crises existenciais dele. Estava na época separado de alguém que morava em outro estado. Mas havia filhos no meio, o que dificultava tudo. Comigo, o problema maior ram meus pais, que haviam me deixado na cidade apenas para estudar e uma pessoa assim na minha vida não seria bem vinda, muito menos por conta da idade dele que era a do meu pai. Era um sofrimento. Ele chorava. Eu chorava. Eu o amava. Ele me amava.
Durante o ano em que ficamos juntos, ele cuidou muito bem de mim e me deu muito carinho, amor, respeito. Aprendi a estudar, a ser mais responsável, virei realmente uma acadêmica. Eu o amaria pra sempre, eu pensava. Cheguei a pedir a Deus que nunca colocasse homem nenhuma mais no meu caminho em oração, se houvesse a possibilidade de ficarmos juntos. Claro que ele nunca soube disso. Quantas coisas que contamos apenas para Jesus, não é mesmo?

Bem, em uma dessas crises ele resolveu se mudar da cidade e voltar à família. Ouvi tudo que ele tinha a me dizer. Que eu era muito nova. Que se ficasse comigo eu o chamaria de velho quando ele tivesse 60 e eu 40, por exemplo (idade que temos hoje). Que eu o trairia e etc, etc, etc. Que nunca daria certo...
Ouvi. Fiquei triste e disse magoada: "Pode ir, mas não ficaremos mais juntos".
Ele riu. Riu muito mesmo. Gargalhou. Disse: "Jôse, o que nós temos você nunca vai esquecer e nem eu". "Vou ficar vindo aqui te ver". Sabe, eu não disse nada na hora. minha dor era tão grande mas tão grande, que palavras não a expressariam e olha que tenho bom vocabulário. Eu só pensava: "você que pensa".

E ele foi. E eu fiquei. Emagreci mais de dez quilos. Chorei noite e dia. Rezei até ficar com os joelhos calejados. Sofri muito. E nada dele. Um mês, dois, três... nada. Nem um telefonema. Nem um "tenho saudade". Nada. Deixou-me assim com a certeza de que eu não tinha sido nada na vida dele. Porque com a distância, nenhuma certeza mais se segura. Ele me amava. Será? A gente se dava bem. Será? Nada é mais certo. Tudo se envolve numa densa fumaça onde você vê apenas o seu sofrimento e o não estar junto do outro que, ou é mais forte que você ou simplesmente não te amava. São os fatos. E nós, mulheres, sempre optamos pela segunda opção.

E você tem que sobreviver. Dar valor à outra pessoa. Assim fiz. Comecei a namorar outro.

Bem, mas... depois que ele foi embora e se ajeitou por lá nos primeiros meses não me procurou, como eu disse, mas depois de uns quatro meses, ele veio à cidade e me telefonou. Não havia internet, nem celular. Ligou em casa. Atendi o telefone sem nem me lembrar dele e ouvi a voz. " Estou na cidade". Desliguei. Tirei da tomada o final de semana inteiro, até que ele fosse embora. E assim fiz todas as vezes que ele me telefonou. Todas as vezes que ele veio à cidade, até que ele não veio mais. Eu já estava casada. Fui casada por onze anos. Por onze anos, ele me procurou. Antes de me casar, namorei com o moço três anos, então, somando tudo foram 14 anos em que ele me telefonou, veio à cidade, me procurou. Algumas vezes eu atendia, quando ele ligava no serviço, conversava com ele, dizia como estava minha vida. Ele me perguntava se eu era feliz casada eu dizia que sim. Ele perguntava se viesse à cidade se eu me encontraria com ele, se eu o ouviria, eu dizia que não. Teve uma vez que me lembro ainda que ele ligou bêbado.Eu o ouvi. Só ouvi. Quando falei, falei apenas para que ele se cuidasse e que não me ligasse mais daquele jeito pois isso me fazia sofrer. Em nenhum momento tudo isso foi fácil pra mim. Eu respeitei a decisão dele de ir embora saindo totalmente da vida dele embora isso tenha me custado muitas lágrimas.

Bem, em 2005 eu me separei. Ele me procurou e disse que era um dos dias mais felizes da vida dele. e pediu para que eu fosse vê-lo. Falei que estava muito machucada e que novamente, eu não iria. Uns meses depois ele me ligou novamente e eu disse que iria vê-lo. Combinamos tudo. No outro dia ele me ligou. Disse que havia passado mal de pensar em me ver novamente depois de tanto tempo. E disse que não teria saúde pra me ver. Que estava pensando se seria bom pra ele reabrir uma ferida que custava a cicatrizar. Falei que tudo bem, que deixássemos então como estava. E ficamos assim, de vez em quando ele ligava, mandava email...

Em 2009, apenas, ele tomou coragem para pedir que eu fosse vê-lo. Ligou e disse que não adiantava.. que ele morria de saudade.. E eu fui.

05 de junho de 2009, desembarquei em Goiânia, ele me esperando. Foi uma cena bonita, depois de tanto tempo a gente se olhar e sorrir para o outro. Senti ternura. Carinho. Conversamos muito. Ele me contou o que sofreu, o que passou. Disse-me tudo que eu havia sonhado ouvir há mais de 14 anos. Disse-me que fui a única mulher que ele verdadeiramente amou nessa vida. Nos amamos em segundos...(Um aff bemmmmm grande aqui que fiquei a ver navios)
Disse tudo, de como quase desistiu de tudo por mim. De como eu o ignorei. Todas as palavras que eu pedi pra ouvir quando eu chorava e orava achando que ele não me amava, que não se lembrava de mim, eu ouvia agora. Ouvia tudo, sem emoção nenhuma. Os planos de ficarmos juntos...
No outro dia, simplesmente vim embora. Ainda nos correspondemos por email de vez em quando. Ele pergunta como vou, eu pergunto como ele vai. Simples assim.





Moral da História, se é que há alguma...



O amor por ele passou pra mim. Um coração quebrado é difícil de ser consertado. Mas me arrependo. Eu o amava muito. Deveria ter sido amante dele, deveria ter feito o que fosse e ficado com ele. Deveria sim, ter atendido ao telefone, deveria ter até traído o meu ex-marido, se fosse necessário, que não valeu a pena, nem me fez feliz em onze anos como fui em um com ele. Mas a vida é assim. Não tem borracha. Fazemos escolhas e nem sempre elas são para que tenhamos felicidade. Fica apenas a lição:

Hoje, eu só tento ser feliz. Não penso mais no que será o amanhã, se algo é correto ou não. Se é moralmente correto, principalmente. Hoje eu só quero amar e ser amada. Ter momentos felizes ao lado de quem eu amar e pronto. O futuro? A Deus pertence.

24 julho, 2010

Minha filha caçula nasceu a 17 de junho de 2002. Linda, meiga, cabeludinha, bochechudinha,…minha Isabela. E, o mais importante, saudável. Na gravidez fiquei enorme, minhas barrigas sempre foram gigantes. Os bebês nasciam criados, como minha mãe diz.

Nos dois últimos meses de gravidez, senti uma certa tristeza, mas pensei que era normal. Dificilmente, uma mulher grávida não tem depressão, mesmo que pequena. Então, não atentei ao fato de que a tristeza me deixava noites sem dormir, ou dormia inquieta e preocupada. Estávamos passando tantos problemas na época. O marido na época ficou desempregado vários meses e quem cobria todas as despesas era eu, que trabalhava de manhã numa escola particular, á tarde dava aulas particulares e à noite trabalhava numa escola pública estadual simplesmente do outro lado da cidade.

Cansada, grávida e com problemas financeiros.Era o quadro. Tivemos que fazer um empréstimo na época para pagar o parto e a cirurgia de laqueadura.

O dia 17 chegou com festa. Jogo do Brasil na Copa. Na parte da manhã, às 9 e 15, mais
precisamente, nascia Isabela e uma parte da Jô que eu era morria. Bem ali naquela mesa de cirugia. Como aconteceu, eu não sei. Mas quando eu acordei já me senti diferente. o mundo era estranhamente enorme demais para mim. Os problemas eram gigantesco e olhar aquela coisinha pequenininha dependendo de mim só aumentava o meu desespero. “Eu já tinha dois filhos, o que acontecia?”eu pensava. Medo. Meu Deus, que medo horrível que te assola o cérebro, as emoções, a alegria, a vida. Tanto medo que respirar doía. E ninguém sabia. Só eu. E eu não dizia nada.

Levantava, tomava banho, dava banho nas crianças, amamentava e sentia medo. Medo de não dar conta, sabe? Pensava: caramba, três filhos! Três almas, três anjos sob a minha responsabilidade… Desesperador. A vontade que eu tinha era de correr. Pegar uma estrada e correr a perder de vista, como filme Forrest Gump. Se me perguntassem o porqu~e eu não sabia. Eu só queria correr. Ir pra longe… Mas aguentei firme. Achava que era bobeira da minha cabeça e que logo passaria. e a vontade de amamentar era tão grande… Se eu contasse pro médico dos meus pensamentos eu pararia de amamentar, então… nada contei. Aguardei uma melhora que não veio. E fui, é claro, só piorando. Tendo mais medo, me sentindo mais sozinha, parei de arrumar a casa, deixei tudo por conta da empregada e ficava deitada olhando pro vazio o tempo todo. Chorava, mas só escondida. Diferente de muitos relatos que já li, eu não pensava em fazer nada com as crianças, nem comigo. “Eu só sentia medo de não dar conta. Dizia nas orações: Senhor, você confia demais em mim! Não darei conta!”

Depois de dois meses assim, fui ao ginecologista disposta a contar sobre o que eu estava sentindo. Não precisei dizer absolutamente nada. Cheguei abatida e em prantos. Ele disse: “Que é isso? Nem precisa dizer nada. Depressão pós-parto”. Logicamente tomei uma bronca por não dizer antes o que sentia. Fiquei ali, parada, sentada, ouvindo longe ele explicar que isso acontecia com 10% das mulheres (e eu tinha que estar nessa estatística?), ilustrativamente, ele me mostrou o que estava acontecendo com meu cérebro, sobre a falta de serotonima. Falou ainda sobre os remédios muito fortes que são utilizados nas cesarianas atualmente e que, dependendo da pessoa, essa reação é esperada. O médico me receitou o remédio para secar o leite e outros para eu sair daquele estado.



Fui embora dali triste, mas esperançosa: “Certo, vai passar. O leite vai secar, mas vou melhorar. Tudo vai ficar bem”

Mal sabia eu que ali começaria uma das lutas da minha vida.

23 julho, 2010


Hoje fui um anjo literalmente.Tava ali na sorveteria agora e uma mulher parou o carro e desceu.Olha só o carro descendo sozinho. Pânico! Gritamos a senhora e ela conseguiu entrar no carro antes que algo acontecesse. Eu disse na mesa:Hoje fomos anjos na vida dela.


E eu agradeço a Deus por isso...

20 julho, 2010

Uma das grandes premissas sobre a amizade é o respeito com o outro. Respeito com o dizer e o pensar, desde que esse dizer e pensar não ultrapasse a sua zona de conforto, ou seja, a linha tênue e limite do que se pode ou não fazer entre amigos.

Falar em amizade é coisa fácil, pegamos uma poesia, um fragmento de um texto, uma citação interessante e pronto! Você vai e posta no seu twitter ou coloca no seu status do orkut, atitude que diz que você corrobora com o enunciado. Ah! Concordar com palavras, estas que são levadas com o tempo, com o vento e nem as escritas hoje em dia têm tanto valor...

Amizade mesmo se prova é com atitude. Por que amizade é quase um amor, ou talvez um amor mais equilibrado, onde um tenta entender o outro e, principalmente, onde um apoia o outro, mesmo não concordando com o outro. Nem sempre concordamos, não é mesmo?

E quantas vezes falamos pro amigo não entrar naquele caminho? E ele entra... e depois você, grande amigo, faz o quê? Dá o seu ombro, claro! Para isso servem os amigos, para estarem sempre ali, aqui e sempre...permanente.

Amigo que é amigo toma a dor do outro, não adianta. Se alguém magoou seu amigo, te magoou também, nem que seja um pouco. Amizade é coisa passional. Se te perguntam é seu amigo e você responde: Sim, é meu melhor amigo(a)! O peito estufa de orgulho. É como dizer "eu tenho alguém comigo pro que der e vier. Estamos nessa vida juntos. Sobrevivemos. Convivemos."

Infelizmente, poucos são aqueles que sabem o que é amizade. Coleguismo você encontra em todo lugar, mas amizade...

Amizade é conhecer ao outro. É se aventurar nas incertezas do ser humano que vai se apresentar pra você, cheio de defeitos, e mostrar o quanto cheio de defeitos também você é e, juntos, tentarão minimizá-los.

É também você dizer: "olha, não gostei quando você fez isso" e ouvir...Ouvir muito seu amigo. Colocar-se no lugar dele de vez em quando. Pedir desculpas quando errar...

AMIZADE é Independente de distância. Independe de virtualidade ou realidade.

Quem é amigo, é amigo sempre. 
Quem não sabe ser, não será nunca.

Para os que são meus amigos, meus sinceros agradecimentos. 
Contem sempre comigo!

Jô Angel

24 junho, 2010

Lá no alto, acima das nuvens vivem anjos.
Anjos de asas de todas as cores e humores.
Anjos benditos.
Brincam de ser passarinhos.
Brincam de esconder, riem e vivem.
Lá no alto, não há preocupação.
Sem contas a pagar.
Sem decepções a encontrar.
Sem amores que partem.
Sem lágrimas pra chorar.
E eu aqui embaixo, olhando...
esses amigos que vem de vez em quando me visitar.
Peço colo, peço guarida, peço carinho...e recebo.
São os filhos alados de Deus.
Anjos que trazem mensagens.
Anjos que nos protegem..
Lá no alto...

Autoria: Jô Angel

18 maio, 2010

Não farei um post para alguém. Faço posts e poemas ou textos para o que estou sentindo no momento. Se você me conhece bem, sabe se estou falando para você ou não. O resto, se a carapuça serviu...


A morte de um Anjo
(*Dedicado a R.B.)

Andava um dia pelo campo, pasto verde, vento no rosto, liberdade, coração vazio. Encontrou um anjo de uma forma desigual. Repentina. Um anjo diferente. Negro. Educado.Inteligente. Tinha asas, mas curtas. Tinha coração, mas pequeno.Um abraço quente. Nada disso viu de imediato. Viu a aura, pensou-o bom.Mas um medo a percorreu.Soltou-se dele e tentou correr.Fugir pra longe daquilo que dava medo. Idas e vindas.Luta inglória de sentimentos, pensamentos. Consciência. Mensagens.Conversas.Mentiras.Equívocos. E tantos perdões. Tantas pistas do fracasso.Nada percebia. Amou-o. De forma livre e descabida.
Foi louca. Insana. Irresponsável. Foi longe por ele e com ele.Amou a fantasia, o sentimento. Amou como ele a fazia sentir. Amou até o jeito dele sorrir. Brincavam o tempo todo. Ajudavam-se. Mundo fechado. Sem redes. Sem muitos amigos. Só os dois se bastavam.Era amor, ela dizia. Era amor, ele dizia. Completavam-se.Em tudo.Ideias.Pensamentos.Sinergia. Palavras sinônimas. Sentimentos contrários. Paradoxo.
Repentinamente tudo mudara. Vidas separadas.O anjo mentira. Não era amor. Não era paixão. Não era nada... Mas era um nada forte. Forte a ponto de machucar. Rasgou seu coração de um golpe só. Propositadamente. Calculadamente. Friamente... segurou-o nas mãos. Aquele coração que era dela. O coração dado a ele. Arrancou-o do peito. Sabia a dor que causava? Tanta dor que ela caiu ao chão.Perdeu a fala. Perdeu o ar. Perdeu o chão. E ficou ali...deitada no mesmo campo onde o encontrara...o coração ao lado, onde ele jogara, sangrando e pulsando fracamente. Arriscou um olhar e viu ele se afastar. Sem olhar pra trás. Sem uma lágrima. Nada.O céu brilhava azul-marinho num dia que era noite. O ar era frio. Sepultral. Levantou-se vagarosamente. Pegou de volta o coração caído ao chão. Colocou-o de volta. Suas mãos manchadas de sangue tremiam.Os olhos agora estavam secos. Frios tanto quanto os dele. Chamou-o. Gritou até que ele a ouvisse. Voltou para falar com ela. Chegou perto e olhou para baixo. Não deu tempo de ver nada. Sentiu apenas a lâmina entrando em seu peito. Sentia agora a dor que nela causara. Sentia o sangue escorrendo. E foi desaparecendo. Anjos não morrem. Eles partem. E ele assim partiu. Quem sabe aprenderia um dia a cuidar de corações. Mas isso não mais importava. Apenas era importante mesmo que simbolicamente, para ela, o anjo morresse. E para ela, ele morrera. E com ele os sonhos que fizeram. Os planos e desejos. O término de algo que nem teve começo. O falso amor que parecia verdadeiro. E ela tentara. Mas não foi boa o bastante para mostra-lhe o amor.Não sabia que um coração pequeno não tinha sentimentos. Então, em lágrimas, ajoelhou-se e orou:

Peço à Santa
Peço aos Anjos
Imploro, na verdade
Dêem-me um coração de gelo
De gelo todo
daquele que nunca vira água
que nunca vira mágoa
que nunca vira dor
um coração de gelo
e a vida
nunca mais dolorida

E seguiu seu caminho.


Autoria: Jô Angel

09 maio, 2010


UMA PRECE PARA DEUS SOBRE MÃES E FILHOS


Novamente, Senhor, é o primeiro domingo de maio. Data em que aqui na Terra comemoramos o Dia das Mães. É, Senhor, aqui tem dia para quase tudo, afinal com essa vida corrida, sabe como é, podemos nos esquecer de mães,pais,avós,família e sem ao menos chegarmos ao final dos tempos.Mas isso, conversamos depois, pode ser?
Continuando... temos então o Dia das Mães instituído. O comércio fica aquecido e quebramos a cabeça ao escolher os presentes:perfumes, cremes,coisas de casa, tudo sempre bom, bonito e cheiroso porque é assim que a maioria vê suas mães. Ah, Senhor, que colo gostoso e cheiroso é um colo de mãe...Se quisermos ter a sensação das nuvens é só deitar ali. E é mágico, sabe? Leva às vezes a dor embora ou pelo menos ameniza nos momentos de lágrimas.

Falo sempre que ninguém vivencia verdadeiramente o que é a dimensão do amor e do sofrimento antes de ter um (a) filho(a). Não há como saber antes o quanto se ama e o quanto se sofre por um(a) filho(a). Todo amor é pequeno...infinitamente pequeno. Nenhum momento é mais mágico e feliz  para uma mãe que o encontro da primeira vez em que olhamos para aquele rostinho rosado, de corpo indefeso.

E hoje, Senhor, eu gostaria de pedir a Ti, vários presentes para as mães e filhos do nosso planeta:

Que elas sejam abençoadas sempre com mais e mais paciência;
Que nenhuma mãe durma sem saber aonde o filho está;
Que os filhos se lembrem de dizer onde vão, com quem vão...
Que nenhum filho(a) se esqueça de pedir a bênção de seus pais;
E que nenhuma mãe ou pai, durma, sem abençoar seu filho(a), mesmo que seja em pensamento;
Que as crianças de nosso país sejam mais ainda guardadas por anjos, Senhor, porque a violência contra elas está demais;
Que certas mulheres, Senhor, NUNCA sejam mães, de acordo com sua justiça; mas que se acaso ocorrer, que as crianças sejam salvas antes de qualquer mal contra elas;
Que aquelas que geram filhos mas que não são mães de verdade, deixem as pessoas com amor incondicional amar essas crianças;
Que as mães que têm filhos especiais, sejam duas vezes mais abençoadas e gratificads com mais paciência;
Que os pais que são mães sejam por ti também abençoados, haja vista tantos homens irresponsáveis que existem;
Que nenhuma criança seja vista de forma diferente do que são, os anjinhos do Senhor!
Que nenhuma criança guarde em si os maus exemplos a não ser que seja para não segui-los;
Que as mães que tiveram seus filhos assassinados, Senhor, não percam a fé em Ti;
Que as avós e tias que criam os filhos como mães, sejam também hoje lembradas e beijadas...
Que os filhos que já perderam suas mães, sintam os beijos delas do céu;

Ah, Senhor!!! Devo ter esquecido algo, alguém, algum caso...mas eu só quero pedir, Senhor, a tua bênção por todos nós, nesse dia, em que paramos para pensar na grandiosidade da maternidade... E agradecer, Senhor, pela bênção de ter os meus três filhos e ser muito amada por eles. Obrigada, Pai, pela responsabilidade e por ter acreditado em mim!

Amém!



FELIZ DIA DAS MÃES!!

Autoria: Jô Angel


04 março, 2010

“Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.” 
(Caio Fernando Abreu)

     

        A rua pede passagem.Meus pés obedecem a esmo. Passo a passo eu caminho. Sem rumo. Absorta em pensamentos, meus olhos olham sem ver absolutamente nada de interessante.
        Ruas nuas, sem cores, sem som. Só pensamentos divagam nos rostos estranhos.Talvez a estranheza seja minha. Busco lances de memória, afetos ou acertos, algo que me faça sorrir ou colocar cor nesse mundo desde que ele se foi. Nada.
        Ao longe, penso ouvir Cazuza: "A emoção acabou... que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou". Frase verdadeira. Músicas são cúmplices de nossos sentimentos.Quando felizes nos embalam, nos rodeiam alegres.Quando tristes, choram conosco, cada toque, cada som, como um fundo musical das lágrimas insistentes. 
        Não ouço nossa música...E tivemos? Não me lembro...Tamanho o esforço desses dias para não pensar em mais nada que me lembre do nosso amor, que nem sei mais o que tivemos. Nem sei ao menos se foi verdadeiro. 
        Meneio a cabeça para jogar fora os pensamentos. Quero a cabeça vazia. O coração idem. Trovões. Claros e altos.Vai descer a chuva. Que me lave por dentro. Que me jogue fora. Que me arraste pelas encruzilhadas, logo eu que estou farta delas. Não mais escolho, sigo reto o caminho.
        Placas à frente: "Siga em frente!" Sigo. Recito na mente Clarice: “Caminho até o limite de meu sonho grande. (...) Para onde vou? E a resposta é: vou.” Ah! Clarice, tantas divagações em consonância com as minhas... E as palavras de Alice Ruiz como por ciúme aparecem na mente: “Qual é a parte da tua estrada no meu caminho? Será um atalho ou um desvio?”
        E importa? Se atalho ou desvio, apenas sigo.


Autoria: Jô Angel
Todos os direitos reservados 

26 fevereiro, 2010



Hoje é meu aniversário! 40 anos!!! 4.0 de potência. E eu que achava que o mundo acabaria no ano 2000 rsrsrs
Hoje quero muito agradecer a Deus por tudo que ele tem me dado na vida, principalmente seu colo nos meus momentos de dificuldade e meus filhos. Sou uma pessoa feliz.sou abençoada por cristo, Nossa Senhora e seus Anjos e eu CREIO nisso! Tenho amigos leais. Tenho uma família que me ama...Ah.Senhor, tenho muito mais a agradecer que reclamar...Obrigada, meu Deus, por todos os meus amigos, minha família, meus filhos, pelo homem que eu amo, por meu trabalho, por minha mãe, pela sua proteção, e por tudo que eu tenha esquecido de agradecer.


E em 40 anos eu aprendi que...


  1. Aprendi que você só dá valor a sua mãe depois que você é mãe
  2. Que dezoito anos demoram pra chegar mas que o tempo depois disso voa
  3. Que as crianças a cada dia nascem mais espertas
  4. que pessoas que você ama são as que mais podem te magoar
  5. Que você pode morar dez anos com uma pessoa e não ser possível saber do que ela é capaz
  6. Que nossos filhos são pérolas valiosas e que o amor por eles é que nos impulsiona a viver
  7. Aprendi que conviver é difícil
  8. Que perdoar é uma das coisas mais difíceis na vida
  9. Que a falta de um bom pai faz falta no futuro
  10. Aprendi que não há amor maior que o de mãe
  11. que Deus manda seus anjos para nos carregar quando não conseguimos andar
  12. que amor não mata, mas a falta dele sim
  13. que na adolescência todos os filhos ficam terríveis e vemos o tal "choque de gerações" que sempre ouvimos falar
  14. Que companheirismo é essencial para um bom relacionamento conjugal
  15. que beijar na boca é uma das coisas mais deliciosas do mundo
  16. que a música pode mudar seu padrão de pensamento
  17. que depressão acontece independente da pessoa ter problemas ou não e é algo que precisa de tratamento
  18. Que a família sempre estará do seu lado, porque te ama mais que tudo
  19. Que não se troca um amor verdadeiro por outros poucos falsos
  20. Que o mal que se faz retorna de um jeito ou de outro para você
  21. que apenas Deus conhece realmente seu coração
  22. que o parceiro tem que ter paciência para descobrir como você é e vice-versa
  23. E que na cama vale tudo, desde que seja feito por amor
  24. aprendi que sou capaz de loucuras que nunca imaginei que seria apenas por seguir meu coração
  25. aprendi que Deus ouve todas as nossas preces mas nem sempre nos atende 
  26. aprendi que a base religiosa deve ser dada às crianças e que isso será importante no futuro
  27. aprendi que existem pessoas más e que elas podem estar no seu convívio diário
  28. aprendi que trabalhar com educação te emociona sempre
  29. Aprendi que casamento não é sinônimo de felicidade
  30. E que você precisa investir e confiar em você mesmo
  31. Aprendi que sou capaz de amar intensamente muitas vezes e que cada uma delas será diferente
  32. Aprendi que pequenos gestos podem te fazer muito feliz 
  33. E que ouvir "eu te amo" é sempre maravilhoso
  34. Aprendi que filhos são bênçãos e que não há como esquecer o primeiro sorriso deles
  35. Aprendi que nem sempre vale a pena ser honesta, mas que é o correto a ser feito
  36. Aprendi que eu mereço a felicidade e você também
  37. Aprendi que a frase" nunca é tarde para aprender" é verdadeira em todos os sentidos da vida
  38. Aprendi que choramos por muitas coisas na vida, mas só os amigos verdadeiros e sua família estarão lá para enxugar suas lágrimas
  39. Aprendi que Anjos existem
  40. E que a cada dia aprendo mais e mais sobre a vida...
Autoria: Jô Angel

18 fevereiro, 2010


Imagem Galeria Deviantart

Semana de carnaval. Domingo, como sempre na época, matinê para as crianças.Uma menina do Rio de Janeiro. Seu nome eu não sei, não publicaram.Li apenas uma parte de sua história, a mais triste.
Domingo de carnaval. Uma menina.Nove anos. Apenas nove anos de vida. e o que sabe de maldade uma criança de nove anos? Nada. Sabe de sorrisos, de desenhos, de carinhos. Sabe que existe mas não sabe o porquê. Sabe que quando alguém a ama, cuida.Nove anos, meu Deus, tanto ainda pra viver, pra sorrir, pra dançar, pra encantar.Tantos pássaros pra ver, água pra mergulhar, vida pra encontrar, carnavais para pular. Nove anos e a vida se acaba.Se era loira ou morena, linda ou feia, gorda ou magra? Não sei. Desde o domingo de carnaval virou um corpo apenas. Uma notícia no jornal. Violentada. Agredida. Assassinada. E abandonada perto do Museu de Arte Moderna, no aterro do Flamengo. O corpo, não a menina. Um corpo apenas estendido no chão, depois da maldade feita, me fez chorar. Um corpo que nem conheci... Um sorriso que nunca vi... Mas uma criança. Como a minha. Como a sua.
Eu acessava o jornal on line e...ninguém, havia reclamado o corpo no domingo. Nem na segunda. Nem na terça. O jornal anunciava na notícia que sete dias sem ninguém reclamar o corpo, a menina seria enterrada como indigente. Absurdo saber que uma criança desaparece de sua casa e ninguém vai atrás, ou não nota, ou sei lá o que acontece nos corações desumanos.
Penso na alegria da menininha, vestida de foliã, de fantasia para pular o carnaval. Penso em como devia estar feliz, a felicidade própria das crianças mesmo, aquela pura e estranha de ser feliz por nada. Aquela felicidade que tantas vezes esquecemos.E tudo isso cortado por um homem que viu malícia num corpo pequeno e frágil. Indefeso. Um monstro.Que violenta e mata crianças para obter algo que hoje em dia é distribuído sem problemas.E o corpo ficou lá jogado.Depois esperando no IML alguém aparecer, oq ue só aconteceu depois de três dias...Triste história de um anjo que deve ter sido bem recebido no céu, já que na terra...
Mas o corpo é irrelevante no sentido global da morte. O monstro não matou o corpo. Matou os sonhos, matou a inocência, matou as gargalhadas lindas que as crianças dão. Matou as oportunidades. Matou a vida que ela poderia ter e a que ela teve.Imagino a dor de uma criança a pedir socorro e choro... pensando nas atrocidades que vem acontecendo com as crianças em nosso país. Choro pelas mães que não merecem ter filhos porque não sabem ser mães, pois mandar uma filha de nove anos sozinha a um carnaval é, no mínimo, falta de preocupação, irresponsabilidade.

Choro por você, minha anjinha.

Choro por você não ter sido amada como deveriam ser todas as crianças.

Descanse em paz!

Autoria: Josevânia Fonseca Silva